ALEKSANDAR SRDIC DESTAQUE DA REVISTA PHOTOS & IMAGENS
O nosso querido fotógrafo Aleksandar Srdic foi destaque na nova edição da revista ¨Photos & Imagens¨, revista destinada a fotógrafos e profissionais da área,que traz pauta sobre a ascensão dos jovens talentos da fotografia de moda brasileira.
confira abaixo a entrevista de Aleksandar:
Não há como negar. Em qualquer ramo profissional, talento, dedicação e conhecimento técnico são fundamentais, mas um empurrãozinho dos amigos e conhecidos não faz mal a ninguém. Principalmente no começo. Na fotografia, um mercado disputado e no qual a avaliação do trabalho tem muito de subjetividade, isso é ainda mais evidente. A batalha para entrar no mercado é dura, talvez mais difícil do que se firmar nele, e uma das armas para romper as inúmeras barreiras que há entre um iniciante e as oportunidades de mostrar sua competência é a indicação dos que já conquistaram um lugar ao sol. Um bom exemplo disso é a trajetória de Aleksandar Srdic no mundo da fotografia de moda e publicidade.
“No começo, ficava mandando e-mails, andava no Bom Retiro de loja em loja… nada dava resultado. Meus primeiros trabalhos acabaram acontecendo porque bons amigos falavam de mim para possíveis clientes, que ficavam interessados em me conhecer. Sem dúvida, precisamos de contatos que falem da gente para as pessoas, e que estas falem para outras pessoas e por aí vai. Nesse meio você precisa ter amigos e parceiros”, admite o fotógrafo. O empurrãozinho, pelo jeito, funcionou, e a competência o ajudou a pegar embalo. Com menos de dez anos de fotografia, Aleksandar tem no currículo ensaios publicados em revistas nacionais e europeias, especialmente italianas e inglesas, além de ter clicado campanhas para diversas grifes de moda – algumas delas podem ser vistas no seu site (http://www.aleksandar.com.br/).
É, ainda, coordenador da área de moda da revista Zupi, inicialmente voltada para design, mas que também voltou sua atenção para a moda, e trabalha como diretor de criação convidado, em parceria com agências de publicidade. “Minha trajetória na fotografia ainda é muito recente. Graças a Deus, e ao profissionalismo, coisas boas aconteceram em um curto espaço de tempo, se pensarmos em maturação de um trabalho”, comemora. A história de Aleksandar mostra com clareza como há vários caminhos para atingir um lugar ao sol nesse mercado – desde que, claro, haja talento para pavimentá-los. Sua relação com a fotografia começou aos 17 anos, quando achou uma Minolta e duas objetivas no armário do pai. “Foi uma surpresa incrível, naquele dia mesmo comprei filmes e não parei de clicar tudo o que via pela frente, sem ter a menor noção do que eu estava fazendo”, lembra. Mas a empolgação não o levou, pelo menos no princípio, a encarar a fotografia como opção profissional. Estudou cinema e televisão na Faap, mas durante a faculdade fazia cursos extras e participava de grupos de fotografia, enquanto trabalhava em rádios e projetos para tevê e cinema. Como assistente de casting, ficou amigo de muitos modelos, que, ao saberem de seu interesse por fotografia, pediam sua ajuda para atualizar seu material fotográfico. “Estava fazendo books e nem sabia”, brinca.
Já como assistente de direção em produtoras como O2, Film Planet e Tratoria, continuava a estudar e a fazer books, “até que chegou a hora em que tive que escolher entre a fotografia e o cinema”. Isso aconteceu em 2003, quando partiu para Nova Iorque fazer cursos de iluminação, direção e produção. “Voltei ao Brasil e terminei a faculdade em 2004. Nessa época, já fazia trabalhos pequenos em revistas de distribuição gratuita e catálogos para marcas bem pequenas. Desde então, a fotografia tomou a maior parte do meu tempo”, afirma.
Por conta dessa trajetória peculiar, Aleksandar nunca trabalhou como assistente em fotografia. “Digo isso não como um mérito, mas como falta de oportunidade mesmo, pois cheguei a procurar, mas nunca fui chamado. Talvez eu tenha procurado pouco, pois fazia assistência de direção nessa época”, acredita. Para ele, essa foi sua grande escola “para conseguir me organizar, dirigir a cena e iluminar. Quando você faz assistência de direção em filmes publicitários a coisa é tão grande, doida e rápida, que é preciso cuidar de cada detalhe da direção geral e dos atores. Para mim, essa foi minha fase de assistente. Busco levar o modus operandi do cinema para a minha fotografia”, explica.
Para Aleksandar, não vale a pena manter um estúdio próprio, diante da variedade de opções e comodidade oferecidas pelos alugados. “Eles hoje têm uma estrutura tão boa e barata que toda vez que penso em ter um estúdio chego à conclusão de que existem mais contras do que prós”.
Ele diz que não ter um estúdio próprio significa “mobilidade e mais tempo para estar focado em ideias, não em equipamentos que queimaram, tapadeiras que desmontaram, tinta, problemas elétricos, segurança e outros aborrecimentos”. Sua estrutura própria se resume a um escritório, de onde é feita a pré-produção e organização dos trabalhos. “Dependendo da necessidade, uso dois ou três assistentes”.
Em relação aos equipamentos, diz que variam muito: “Cada trabalho é um, cada layout é um, cada cliente é
um”. Para trabalhos menores, que não precisam de ampliações muito grandes ou de altíssima resolução, usa uma Nikon D300 e uma Canon 5D Mark II. Quando é preciso uma maior qualidade de imagem, apela para uma Hassel H3 DII com back de 50MP. O mesmo acontece em relação à luz. “Gosto da HMI, mas nem sempre é possível, pois é cobrada por hora, tem que ter gaffer, maquinista, ou seja, não é barato. Trabalho também com Broncolor, Elichron e Profoto, que são flashes e não demandam tanta produção, mas tudo
vai depender de qual é o job, qual é o layout”, explica. A quantidade de cabeças de luz também depende, segundo ele, “do resultado que se deseja. Até com uma se pode trabalhar”, assegura.
Outro fator que também varia muito é o preço do trabalho. “Tudo vai depender do layout, da modelo, dos profissionais necessários, ou seja, é preciso colocar tudo no papel antes de determinar o valor. Você pode precisar de stylist, make up, três modelos, produtor de locação, verba para locação, produtor de objetos, verba de objetos, cenógrafo, verba de cenografia, transporte, catering, assistentes, gaffers, ou pode precisar apenas de uma modelo, make up, stylist e assistentes”, esclarece. Além disso, o próprio cachê dos profissionais envolvidos pode baratear ou encarecer o orçamento. Um dos profissionais representados pela agência Glloss (www.glloss.com.br), Aleksandar diz que, mesmo estudando muito, é preciso manter um lado autodidata. “Temos sempre que estar nos aperfeiçoando, experimentando. Estudei dois anos de fotografia na faculdade e mais seis meses num grupo de estudos e experimentação com diretores de fotografia de cinema e fotógrafos, também na faculdade. Fiz também cursos livres em escolas de fotografia técnica de São Paulo – moda, retrato, nu, iluminação, publicidade e outros – e, em 2003, os cursos de especialização em NY, mas continuo em busca de mais conhecimento”. Ele diz que uma produção de moda exige, em média, entre 16 e 20 profissionais, e que a maior parte do seu tempo, por incrível que pareça, é dedicada à pré e pós-produção das imagens e aos estudos. “A prospecção de clientes é feita pela agência”.
O tratamento e retoque das fotos são feitos em estúdios de manipulação profissional. “Já trabalhei com a Casa do Vaticano, Fujocka e LA Retouch”, revela. Para ele, o uso do Photoshop e outros programas de manipulação é inevitável. “A busca é pela perfeição, e é impossível alcançá-la sem manipulação”, assegura. Isso não faz, no entanto, com que se descuide na hora do clique. “Gosto de deixar a foto o mais perto possível do resultado final. É importante favorecer o retoque, já saber como será a foto final quando estiver clicando, senão a coisa não flui. Não adianta clicar um cavalo e querer que ele vire um elefante”. Os trabalhos normalmente são entregues em DVD, ou via FTP, em casos de emergência. Normalmente, apenas as imagens selecionadas são entregues, e já tratadas.
Aleksandar começou a fotografar com filmes “e no meio do caminho passei para o digital”. As diferenças, para ele, são inúmeras: “A profundidade de cor e a falta do grão talvez sejam as principais razões para que fotógrafos mais conservadores defendam a permanência do filme. Eu obviamente prefiro o resultado com filme, porém a praticidade, agilidade e a economia que o digital traz acabam deixando-o cada vez mais distante de mim – o último que usei foi em 2002”. Ele diz que, com o digital, todos estão mais seguros em relação ao resultado da produção. “Você clica e está ali no monitor, a equipe pode ver e está muito mais atenta a todos os detalhes. A questão da profundidade de cor nas digitais está quase resolvida nas novas câmeras médio formato e o grão pode ser simulado no retoque. Enfim, fica bem próximo, é bem mais prático, mas nada igual ao filme”
Parabéns Aleksandar!!!!
postado por: Glloss |
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